Pereira, Jorge

Quem és tu, Jorge Pereira? Esta é das perguntas mais complicadas que já me fizeram, muito mais complicada do que explicar a diferença entre um porco constipado ou uma vaca louca; ou do que montar um móvel do IKEA; ou mesmo do que explicar ao chefe a razão do nosso atraso de quatro horas e dos vincos de almofada na cara. Esclareça-se que a complicação reside em ter de ser eu a responder, pois não gosto de me gabar sem motivo aparente. Sim, porque se estão à espera que coloque aqui os meus defeitos, estão rectangularmente enganados. Por outro lado, o que posso dizer que não seja já sobejamente conhecido? Poderia lançar a ideia de que sou uma pessoa brilhante, mas não quero ser desmentido com base em inúmeras provas factuais. Poderia dar a entender que sou um excelente colega de trabalho, mas pretendo que seja o conteúdo do livro a fazer rir, não a opinião que o autor tem de si. Poderia insinuar que sou um excelente companheiro, mas não consegui convencer ninguém a testemunhá-lo. Como dar a conhecer um bancário licenciado em Gestão, que encontrou na escrita a forma de extravasar o animal que há em si? Como transmitir que, aos 37 anos, continuo um apaixonado pela vida, procurando encarar as contrariedades com humor, pelo menos enquanto continuar a ser proibido espancar as pessoas estúpidas que encontro no meu caminho? Honestamente, não sou capaz. Sugiro pois a leitura deste livro, dado que o Rafeiro Perfumado não é mais do que a versão canina do Jorge Pereira. E se conseguirem conhecer a forma como o Rafeiro vê o mundo, e os acontecimentos que nele se desenrolam, ficarão então com uma boa ideia de como sou. Depois, convém que me imaginem só com duas pernas, de acordo?

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 Agarrem-me ou Dou Cabo desses Palhacitos!
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